terça-feira, 14 de outubro de 2014

Fitoterápicos



Fitoterápicos são medicamentos obtidos empregando-se, como princípio-ativo, exclusivamente derivados de drogas vegetais. São caracterizados pelo conhecimento da eficácia e dos riscos de seu uso, como também pela constância de sua qualidade. Fitoterápicos são regulamentados no Brasil como medicamentos convencionais e têm que apresentar critérios similares de qualidade, segurança e eficácia requeridos pela ANVISA para todos os medicamentos. Como qualquer medicamento, o mau uso de fitoterápicos pode ocasionar problemas à saúde, como por exemplo: alterações na pressão arterial, problemas no sistema nervoso central, fígado e rins, que podem levar a internações hospitalares e até mesmo à morte, dependendo da forma de uso.

Os cuidados são os mesmos destinados aos outros medicamentos:
ƒ- Buscar informações com os profissionais de saúde;
ƒ- Informar ao seu médico qualquer reação desagradável que aconteça enquanto estiver usando plantas medicinais ou fitoterápicos;
-ƒ Observar cuidados especiais com gestantes, lactantes, crianças e idosos;
ƒ- Informar ao seu médico se está utilizando plantas medicinais ou fitoterápicos, principalmente antes de cirurgias;
-ƒ Adquirir fitoterápicos apenas em farmácias e drogarias autorizadas pela Vigilância Sanitária;
ƒ- Seguir as orientações da bula e rotulagem;
-ƒ Observar a data de validade – Nunca tomar medicamentos vencidos;
ƒ- Seguir corretamente os cuidados de armazenamento;
ƒ- Ter cuidado ao associar medicamentos, o que pode promover a diminuição dos efeitos ou provocar reações indesejadas.
ƒ- Desconfiar de produtos que prometem curas milagrosas.

Fonte: ANVISA

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Câncer do Colo do Útero x Nutrição



O Câncer de Colo de Útero é uma lesão invasiva intrauterina ocasionada principalmente pelo HPV, o papilomavírus humano. Este pode se manifestar através de verrugas na mucosa da vagina, do pênis, do ânus, da laringe e do esôfago, ser assintomático ou causar lesões detectadas por exames complementares. É uma doença demorada, podendo levar de 10 a 20 anos para o seu desenvolvimento. Afeta em sua maioria mulheres entre 40 e 60 anos de idade.

Alguns riscos favorecem o aparecimento dessa doença:
• Sexo desprotegido com múltiplos parceiros;
• Histórico de DSTs (HPV);
• Tabagismo;
• Idade precoce da primeira relação sexual;
• Multiparidade (Várias gravidezes).

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de colo de útero é o segundo tumor mais frequente entre as mulheres, perdendo apenas para o câncer de mama. Ao contrário do que se acredita, a endometriose (já fiz um post sobre, clique aqui)  e a genética não possuem relação com o surgimento desse câncer. Mas o Câncer de Colo de Útero, caso não tratado, pode evoluir para uma doença mais severa, o Carcinoma invasor do colo uterino (tumor maligno).

Pesquisas indicam que alguns nutrientes antioxidantes, como as vitaminas A, E e C,podem inibir a formação de radicais livres e a evolução de lesões malignas no epitélio do colo uterino, atuando como moduladores da resposta imune frente à presença e/ou à persistência da infecção por HPV, impedindo a progressão da NIC (neoplasia intraepitelial cervical) e consequentemente o desenvolvimento do câncer cervical.

Uma ampla definição de antioxidante é: "substâncias que mesmo presentes em baixas concentrações são capazes de atrasar ou inibir as taxas de oxidação". Os antioxidantes agem nas três linhas de defesa orgânica contra as EROs. A primeira linha, que é a de prevenção, se caracteriza pela proteção contra a formação das substâncias agressoras. A segunda linha é a interceptação, neste estágio os antioxidantes precisam interceptar os RLs, os quais, uma vez formados, iniciam suas atividades destrutivas. A última linha é o reparo, ela ocorre quando a prevenção e a interceptação não foram completamente efetivas e os produtos da destruição pelos RLs estão sendo continuamente formados em baixas quantidades, dessa forma podem se acumular no organismo.

Estudos epidemiológicos encontraram associação entre as ações de nutrientes e o risco para câncer cervical, com base na ingestão de vitaminas antioxidantes e no pool circulante desses nutrientes, que refletem padrões dietéticos. Estudos de revisão com carotenoides (betacaroteno encontrado na cenoura, folhas verde escuras, vegetais de cor amarela e laranja; e o licopeno encontrado no tomate, melancia, mamão e goiaba), vitamina C (encontrada nas frutas cítricas principalmente) e a vitamina E (tocoferóis encontrados nos óleos vegetais) demonstraram que esses podem ser agentes de proteção principalmente nos estágios iniciais da carcinogênese cervical, protegendo contra a persistência e a progressão subsequente de infecções por HPV, porém alguns achados em outros estudos foram imprecisos.

Estudo caso-controle obteve resultados que sugerem que concentrações séricas maiores de carotenoides e tocoferóis e o consumo de alimentos ricos em carotenoides podem reduzir pela metade o risco para lesões neoplásicas e câncer cervicais, após controle por outros fatores de risco. Estudos prospectivos têm avaliado os fatores nutricionais associados à eliminação do HPV. Em estudo com universitárias canadenses, observou-se que a ingestão diária de vegetais, quando comparada ao consumo semanal, estava positivamente associada à eliminação do HPV oncogênico (OR:2,5 (1,40-5,00),IC:95%).

A relação entre os fatores nutricionais e o desenvolvimento de neoplasia do colo do útero é complexa, em razão dos múltiplos fatores etiológicos e inúmeros fatores de riscos envolvidos na gênese e no desenvolvimento desse tumor. As vitaminas antioxidantes têm importante papel na prevenção do câncer do colo uterino. Evidências mostram que a vitamina A inibe a promoção tumoral através da capacidade dos carotenoides em inibir a oxidação de compostos pelos peróxidos, sendo também moduladores potentes da diferenciação celular, o que confere proteção para inibir o crescimento de células malignas no colo do útero e consequente desenvolvimento do HPV. Além disso, o ácido retinoico tem o poder de alterar a expressão genética especificamente em tecidos-alvo como o do colo uterino, conferindo a ação preventiva da progressão da NIC e desenvolvimento do câncer cervical. As vitaminas C e E garantem um efeito protetor, devido ao fato de serem antioxidantes e de terem funções essenciais como a de evitar a formação de carcinógenos a partir de compostos precursores, conferindo manutenção da integridade e regeneração da epiderme, além de aumentar a imunidade. Estudos sugerem que concentrações séricas maiores de carotenoides, vitamina C e tocoferóis e o consumo de alimentos ricos nesses nutrientes, principalmente em carotenoides podem reduzir pela metade o risco de lesões displásicas evoluírem para o câncer cervical. Sendo assim, estimular a alimentação saudável com incentivo ao consumo de verduras, legumes e frutas, deve ser considerada uma medida de prevenção e controle do câncer cervical; porém, apesar de tão promissores, os resultados provenientes da investigação nutricional com antioxidantes aplicada ao paciente oncológico ainda são reduzidos, se for levado em consideração a grande possibilidade de combinações entre esses nutrientes. Além disso, essa terapia é ainda muito pouco empregada no tratamento de pacientes oncológicos no Brasil. A alimentação equilibrada tem papel importante na prevenção do câncer do colo do útero, porém são necessários maiores estudos para propor recomendações nutricionais específicas para a prevenção desta patologia.

Fonte: INCA

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Mídia e Obesidade Infantil



Nos últimos anos, numerosos estudos têm sido realizados para descobrir as verdadeiras causas da obesidade infantil. A maioria destes estudos têm identificado os erros nos hábitos alimentares como sendo o principal fator responsável por causar obesidade nas crianças. Além disso, a falta de atividade física bem como outros fatores genéticos têm sido identificados como principais razões por trás ganho de peso repentino em crianças. Porém, atualmente as mensagens comerciais estão formando a memória em relação aos alimentos mais do que a própria experiência de prová-los. Os produtos alimentares ocupam a maior parte do tempo dedicado à publicidade na televisão, em canais que a maioria das crianças assiste, e aproximadamente 60% dos alimentos anunciados são de baixo valor nutritivo. Tais alimentos estão associados muitas vezes a brindes, jogos e embalagens atrativas que instigam o consumo, mesmo sem apetite, e podem representar para a criança uma forma de recompensa por ter consumido aquele produto - mesmo que esse não traga nenhum benefício para sua saúde. Esse assédio consumista desenvolve um constante sentimento de insatisfação, além de constituir duas faces da mesma moeda: a publicidade que ajuda as crianças a engordar é a mesma que apresenta a magreza como padrão de beleza.
De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2008-091, 34,8% dos meninos e 32% das meninas de 5 a 9 anos têm excesso de peso, e 16,6% e 11,8%, respectivamente, são obesas. Vários fatores podem estar na gênese da obesidade, no entanto mudanças no estilo de vida e nos padrões alimentares poderiam explicar esse crescente aumento de obesidade nos últimos anos - como a redução da atividade física, o consumo de alimentos muito calóricos e de baixo valor nutricional, e a exposição excessiva da criança à mídia.
As crianças são dependentes e cabe aos pais despertar o senso crítico delas para defendê-las dos apelos da publicidade. No entanto, os pais também são assediados pela mídia, que banaliza o consumismo e deixa perceber pouco os danos causados, exigindo, portanto, um passo anterior de conscientização dos próprios adultos. Os pais devem ser orientados acerca da importância de opor-se à publicidade voltada às crianças, devem ser incentivados a participar da vida dos filhos e a desenvolver o senso crítico juntos. No combate à obesidade, esta estratégia de enfrentar os abusos da mídia deve avançar dentro dos tratamentos clínicos e em conjunto com as famílias, bem como na política pública, respaldados pelas leis em defesa da criança e do adolescente.

Nutribeijos!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

"Quero engordar... e agora?"



É incrível, mas existem muitas pessoas que fazem de tudo para engordar e não conseguem! Tem muita gente querendo emagrecer e outros querendo engordar. O que essa minoria tem de especial para ser diferente da maior parte da população? Escuto muitos comentários de raiva sobre as pessoas que passam o dia todo mastigando e não engordam uma grama. A explicação para tudo isso é o famoso metabolismo! Metabolismo é o nosso gasto energético em repouso, ou seja, sabe quando você acorda e só abre os olhos? Nesse momento o coração está batendo, você está respirando e todos os órgãos funcionando. Para isso existe um gasto energético e esse é o nosso metabolismo. Já nascemos com ele, mas conseguimos sim modificá-lo!
O nosso peso é o resultado do que comemos e gastamos. Se essas pessoas gastam mais energia é óbvio que elas precisam consumir mais, mas será que é batata frita, sorvetes de massa, balas o dia todo? É claro que não! Não é porque são magros que não irão desenvolver uma doença crônica como colesterol ruim alto ou mesmo hipertensão e diabetes. Vale todo o conceito do artigo de alimentação saudável para essas pessoas. A diferença é que elas vão consumir mais vezes ao dia e muitas vezes o consumo de suplementos alimentares irão ajudá-los. Só é possível saber qual suplemento alimentar é mais indicado passando em consulta com um profissional Nutricionista. Cada um é um indivíduo diferente e não dá para generalizar um suplemento para todo mundo. Cada pessoa tem um ritmo de vida diferente o que faz cada pessoa ter uma necessidade energética e nutricional diferente da outra.
Nutribeijos!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Nutrição e Alimentação no Balé



O balé é uma modalidade artística que engloba habilidades de flexibilidade e força muscular, isso em um corpo que precisa ser necessariamente magro, não hipertrofiado. As horas de treinamento e toda a dedicação necessária ao balé podem colocar os praticantes em risco nutricional. A necessidade de manutenção do corpo magro é fator de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares em bailarinas, segundo a literatura. Sabemos que os bailarinos, em sua maioria, iniciam a pratica do balé ainda na infância, daí a importância de avaliação do status nutricional para a garantia do adequado crescimento dessas crianças. O acompanhamento nutricional dos praticantes de balé tem como objetivos manter o equilíbrio nutricional, manter e melhorar a saúde geral, garantir o crescimento adequado (quando crianças e adolescentes) e proporcionar ganho de massa magra para garantir o fortalecimento muscular.
Geralmente, segundo a literatura, a dieta dos bailarinos é baixa em calorias, ferro, cálcio e gorduras essenciais (poliinsaturadas), comprometendo o ganho de massa ósseo e o desenvolvimento e crescimento geral. Entre as meninas, é comum a presença da tríade da atleta do sexo feminino, que é caracterizada pelo baixo consumo de calorias em longos períodos, pela irregularidade menstrual causada pelo desequilíbrio dos hormônios sexuais femininos, pela perda de massa óssea e, em alguns casos, pelo desenvolvimento de transtornos alimentares (bulimia ou anorexia). Assim, sendo o grupo de bailarinos caracterizados como vulneráveis a deficiências nutricionais, é importante frisar a necessidade de assistência nutricional para os praticantes da modalidade.

Como podemos ajudar os praticantes de balé?
Por meio de educação nutricional aos praticantes, o equilíbrio nutricional é mantido e o ganho de desempenho físico é assegurado. A seguir, algumas orientações importantes:

+ Ingerir nutrientes de todos os grupos de alimentos de forma a garantir o aporte nutricional adequado;
+ Fracionar a alimentação (comer ao menos 5 refeições diariamente);
+ Não pular refeições;
+ Ter uma alimentação rica/variada e não restrita a poucos alimentos;
+ Priorizar o consumo de grãos e cereais integrais;
+ Comer alimentos fontes de proteínas diariamente (carnes, cereais integrais, feijões, queijos, leites, sementes oleaginosas como nozes e castanhas);
+ Comer alimentos fontes de ferro diariamente (carnes, cereais integrais, feijões);
+ Comer alimentos fontes de cálcio diariamente para manutenção do aporte;
+ Comer hortaliças e frutas diariamente (ao menos 3 porções de frutas e 3 de hortaliças);
+ Evitar alimentos processados/ industrializados ricos em gordura e sal;
+ Evitar frituras (máximo de 1 vez na semana);
+ Consumir líquidos para correta hidratação (água, sucos de polpa, água de coco);
+ Jamais iniciar um programa de suplementação nutricional sem acompanhamento e prescrição do nutricionista.

O fator determinante da nutrição para os bailarinos e praticantes de balé é a manutenção do bem-estar físico a fim de que o melhor desempenho seja atingido. Como em todas as modalidades esportivas, a dieta é importante – mas ainda é negligenciada na rotina dos bailarinos, mesmo entre os profissionais. Assim, reitero que o nutricionista pode fazer muito pela arte do balé.

Fonte: Perla Menezes